
Quando se fala de inteligência artificial no recrutamento, a conversa tende a centrar-se nos algoritmos.
Nas ferramentas que analisam currículos, fazem match de candidatos, automatizam respostas ou ajudam a construir shortlists.
Mas o maior impacto que a IA teve no meu trabalho não foi esse.
Foi devolver-me tempo.
Menos notas, mais presença
Em contexto de entrevista, por exemplo, a utilização de assistentes de IA mudou profundamente a minha forma de trabalhar.
Durante muitos anos, entrevistar implicava um equilíbrio difícil: ouvir verdadeiramente a pessoa que estava à minha frente enquanto tentava simultaneamente tomar notas, registar detalhes relevantes, organizar informação e garantir que nada importante ficava por documentar.
Hoje, muitas dessas tarefas passaram a ser apoiadas por ferramentas que registam, organizam e estruturam informação de forma muito mais eficiente.
E isso teve um efeito inesperado: permitiu-me estar mais presente na conversa.
Ouvir melhor.
Explorar mais.
Aprofundar mais.
Numa segunda fase, essas mesmas ferramentas ajudam também na produção de relatórios e insights de mercado, tarefas que anteriormente consumiam várias horas de trabalho operacional.
O ganho de eficiência é real e inegável.

A pergunta que falta fazer
Mas há uma pergunta mais importante do que “quanto tempo vamos ganhar com a IA?”: o que vamos fazer com o tempo que ela nos devolve?
No meu caso, já aconteceu terminar determinadas tarefas mais cedo graças à utilização destas ferramentas.
E isso não significou necessariamente produzir mais relatórios ou marcar mais entrevistas.
Significou, por exemplo, conseguir ir buscar os meus filhos à escola.
A discussão mais relevante sobre inteligência artificial no trabalho não é apenas sobre produtividade.
É sobre qualidade de vida, foco humano e a forma como escolhemos reinvestir o tempo que a tecnologia nos devolve.








