Quem serão os líderes de amanhã se a IA fizer o trabalho de hoje?

A inteligência artificial está a transformar a forma como trabalhamos. Em muitas organizações, tarefas que até há pouco tempo exigiam horas de análise, pesquisa, preparação ou tratamento de informação podem agora ser realizadas em minutos.
Os ganhos de eficiência são evidentes. Mas talvez seja tempo de refletirmos sobre uma questão menos discutida.
Se a IA fizer uma parte significativa do trabalho que tradicionalmente ocupava profissionais em início de carreira, onde irão os futuros líderes desenvolver a experiência que, ao longo dos anos, sustentava o seu crescimento?
O que se perde quando o primeiro degrau desaparece
Durante décadas, muitas funções de entrada serviram como muito mais do que simples posições operacionais. Eram espaços de aprendizagem, onde se aprendia a resolver problemas, a lidar com a pressão, a compreender o negócio, a tomar decisões com informação incompleta e a desenvolver julgamento.
Poucos profissionais iniciavam a sua carreira a pensar estrategicamente. Essa capacidade era construída através da exposição sucessiva a desafios, erros, responsabilidades e experiências que, isoladamente, podiam parecer pouco relevantes, mas que acabavam por moldar a forma de pensar e decidir.
O risco que não aparece nos indicadores de curto prazo
E é aqui que emerge a verdadeira questão. A discussão não está apenas em saber se a IA vai substituir líderes. A questão é perceber quem serão os líderes de amanhã se algumas das experiências que tradicionalmente contribuíam para a sua formação deixarem de existir. Automatizar uma tarefa resolve um problema imediato. Mas pode também eliminar uma oportunidade de aprendizagem, e este é um risco que dificilmente surge nos indicadores de curto prazo. Uma organização pode aumentar a produtividade, simplificar processos e gerar melhores resultados durante anos, sem se aperceber de que o seu pipeline de liderança se está, gradualmente, a enfraquecer naturalmente.
Durante muito tempo, as organizações puderam identificar líderes de forma relativamente natural. Havia percursos suficientemente amplos para que o potencial emergisse ao longo do tempo. Quem demonstrava capacidade acabava, mais cedo ou mais tarde, por assumir responsabilidades acrescidas. Mas se os percursos se tornam menos lineares e algumas das experiências que ajudavam a revelar potencial deixam de existir, esta lógica deixa de ser suficiente.

Avaliar potencial quando os percursos deixam de o revelar
É precisamente aqui que a avaliação de potencial ganha uma relevância acrescida. Quando há menos oportunidades para observar o crescimento natural das pessoas, torna-se mais importante identificar, de forma estruturada, quem demonstra capacidade para aprender, adaptar-se, lidar com ambiguidade e assumir desafios de maior complexidade no futuro. A avaliação de potencial deixa então de ser apenas uma ferramenta de sucessão. Passa a ser uma ferramenta de gestão de risco estratégico.
Porque o verdadeiro desafio poderá não ser encontrar os líderes de hoje. Pode ser garantir que continuamos a desenvolver os líderes de amanhã.
A eficiência que pode custar o futuro
Existe uma ironia difícil de ignorar. A mesma eficiência que hoje permite fazer mais com menos pode estar, simultaneamente, a reduzir algumas das experiências que ajudavam as pessoas a crescer, assumir responsabilidade e preparar-se para liderar.
O efeito não é visível hoje nem será visível já amanhã. Mas poderá tornar-se evidente quando as organizações procurarem líderes que nunca tiveram oportunidade de percorrer o seu caminho de aprendizagem.
Na Neves de Almeida acreditamos que identificar potencial cedo é mais importante do que nunca. Não porque o futuro seja previsível, mas porque os percursos que tradicionalmente revelavam esse potencial estão a mudar.
Quem serão os líderes de amanhã se a IA fizer o trabalho de hoje?








