Competencies-based assessment: quando avaliar funções deixou de fazer sentido

Sumário
- Porque o modelo baseado em funções deixou de responder à realidade
- O que dizem os dados sobre avaliação baseada em competências
- O que distingue um competencies-based assessment
- Porque avaliar competências reduz risco e aumenta previsibilidade
- O impacto do competencies-based assessment na liderança
- Avaliar talento para o futuro das organizações
Durante muitos anos, o Talent Assessment foi pensado a partir de funções, cargos e percursos profissionais relativamente estáveis. Avaliar talento significava analisar o histórico, o contexto funcional e a progressão hierárquica como indicadores de sucesso futuro. Esse modelo funcionou enquanto as organizações evoluíam de forma previsível. Hoje, essa previsibilidade deixou de existir.
A transformação do trabalho, a aceleração tecnológica e a redefinição constante de papéis tornaram evidente uma limitação estrutural: avaliar talento com base na função que alguém ocupa já não permite antecipar desempenho futuro.
Porque o modelo baseado em funções deixou de responder à realidade
As funções mudam mais depressa do que os ciclos de avaliação; novos cargos surgem, responsabilidades são redistribuídas e as nequipas tornam-se cada vez mais híbridas, multidisciplinares e orientadas a projetos. Avaliar alguém apenas pelo que fez num cargo específico, ignora o impacto do contexto em que esse desempenho ocorreu.
O resultado é conhecido: organizações continuam a errar em promoções, sucessões e mobilidade interna, mesmo quando os processos parecem robustos. O problema não está na falta de método, mas no referencial utilizado para avaliar.

O que dizem os dados sobre avaliação baseada em competências
A mudança para modelos de competencies-based assessment não surge por intuição, mas como resposta a evidência consistente. Estudos recentes de entidades internacionais de referência apontam todos na mesma direção.
A Gartner tem vindo a demonstrar que organizações que adotam modelos de talento baseados em competências ganham maior agilidade e capacidade de adaptação, precisamente porque deixam de depender de descrições rígidas de funções. A investigação internacional na área da gestão de talento reforça esta leitura ao mostrar que a avaliação centrada exclusivamente na experiência passada aumenta o risco em decisões de sucessão e mobilidade, sobretudo em contextos de transformação acelerada. A evidência é consistente: o desempenho futuro é melhor previsto por competências transferíveis, capacidade de aprendizagem e adaptação a novos desafios do que pelos cargos ocupados anteriormente.
Em conjunto, estes dados sustentam uma conclusão clara: as competências explicam melhor o potencial futuro do que o histórico funcional.
O que distingue um competencies-based assessment
Um modelo de assessment baseado em competências parte de uma lógica diferente, pois em vez de confirmar o percurso, procura compreender como a pessoa atua em contextos diversos. Analisa a forma como toma decisões, lida com ambiguidade, aprende com a experiência e transfere competências para novos desafios.
Este tipo de avaliação cruza dados comportamentais, motivacionais e cognitivos para identificar padrões consistentes de atuação. O objetivo não é validar se alguém sabe desempenhar uma função, mas perceber se tem capacidade para responder a contextos que ainda não conhece.

Porque avaliar competências reduz risco e aumenta previsibilidade
Ao centrar a avaliação em competências transferíveis, as organizações conseguem tomar decisões mais informadas em contextos de incerteza. Promoções deixam de depender apenas do desempenho passado e passam a considerar a capacidade real de adaptação e crescimento.
Este modelo reduz o risco associado a mudanças de contexto, aumenta a precisão em decisões de sucessão e permite identificar talento com verdadeiro potencial de mobilidade interna. Num cenário em que liderar significa navegar na complexidade, a previsibilidade vem da forma como as pessoas pensam e agem, não do título que ocupam.
O impacto do competencies-based assessment na liderança
No contexto da liderança, esta mudança é particularmente relevante. Estudos mostram que muitas falhas em posições de topo não estão ligadas à competência técnica, mas a lacunas comportamentais, baixa autoconsciência ou dificuldade em lidar com pressão e ambiguidade.
Avaliar competências como tomada de decisão, influência, resiliência e gestão da complexidade torna-se essencial para identificar líderes capazes de responder a desafios futuros, e não apenas replicar sucessos passados.
Avaliar talento para o futuro das organizações
O verdadeiro valor do Talent Assessment está na sua capacidade de apoiar decisões estratégicas. Quando a avaliação continua ancorada na função, perde relevância. Quando a avaliação evolui para foco em competências, passa a ser um instrumento de leitura do futuro.
Na Neves de Almeida, o Talent Assessment é encarado como uma ferramenta de decisão rigorosa, orientada para contextos reais, exigências futuras e impacto sustentável no negócio. Avaliar talento não é confirmar o passado, é preparar a organização para o que vem a seguir.
Num mercado em constante transformação, as funções mudam, as competências permanecem.








