Competencies-based assessment: quando avaliar funções deixou de fazer sentido

18 de fevereiro de 2026

Durante muitos anos, o Talent Assessment foi pensado a partir de funções, cargos e percursos profissionais relativamente estáveis. Avaliar talento significava analisar o histórico, o contexto funcional e a progressão hierárquica como indicadores de sucesso futuro. Esse modelo funcionou enquanto as organizações evoluíam de forma previsível. Hoje, essa previsibilidade deixou de existir.

A transformação do trabalho, a aceleração tecnológica e a redefinição constante de papéis tornaram evidente uma limitação estrutural: avaliar talento com base na função que alguém ocupa já não permite antecipar desempenho futuro.

Porque o modelo baseado em funções deixou de responder à realidade

As funções mudam mais depressa do que os ciclos de avaliação; novos cargos surgem, responsabilidades são redistribuídas e as nequipas tornam-se cada vez mais híbridas, multidisciplinares e orientadas a projetos. Avaliar alguém apenas pelo que fez num cargo específico, ignora o impacto do contexto em que esse desempenho ocorreu.

O resultado é conhecido: organizações continuam a errar em promoções, sucessões e mobilidade interna, mesmo quando os processos parecem robustos. O problema não está na falta de método, mas no referencial utilizado para avaliar.

O que dizem os dados sobre avaliação baseada em competências

A mudança para modelos de competencies-based assessment não surge por intuição, mas como resposta a evidência consistente. Estudos recentes de entidades internacionais de referência apontam todos na mesma direção.

A Gartner tem vindo a demonstrar que organizações que adotam modelos de talento baseados em competências ganham maior agilidade e capacidade de adaptação, precisamente porque deixam de depender de descrições rígidas de funções. A investigação internacional na área da gestão de talento reforça esta leitura ao mostrar que a avaliação centrada exclusivamente na experiência passada aumenta o risco em decisões de sucessão e mobilidade, sobretudo em contextos de transformação acelerada. A evidência é consistente: o desempenho futuro é melhor previsto por competências transferíveis, capacidade de aprendizagem e adaptação a novos desafios do que pelos cargos ocupados anteriormente.

Em conjunto, estes dados sustentam uma conclusão clara: as competências explicam melhor o potencial futuro do que o histórico funcional.

O que distingue um competencies-based assessment

Um modelo de assessment baseado em competências parte de uma lógica diferente, pois em vez de confirmar o percurso, procura compreender como a pessoa atua em contextos diversos. Analisa a forma como toma decisões, lida com ambiguidade, aprende com a experiência e transfere competências para novos desafios.

Este tipo de avaliação cruza dados comportamentais, motivacionais e cognitivos para identificar padrões consistentes de atuação. O objetivo não é validar se alguém sabe desempenhar uma função, mas perceber se tem capacidade para responder a contextos que ainda não conhece.

Porque avaliar competências reduz risco e aumenta previsibilidade

Ao centrar a avaliação em competências transferíveis, as organizações conseguem tomar decisões mais informadas em contextos de incerteza. Promoções deixam de depender apenas do desempenho passado e passam a considerar a capacidade real de adaptação e crescimento.

Este modelo reduz o risco associado a mudanças de contexto, aumenta a precisão em decisões de sucessão e permite identificar talento com verdadeiro potencial de mobilidade interna. Num cenário em que liderar significa navegar na complexidade, a previsibilidade vem da forma como as pessoas pensam e agem, não do título que ocupam.

O impacto do competencies-based assessment na liderança

No contexto da liderança, esta mudança é particularmente relevante. Estudos mostram que muitas falhas em posições de topo não estão ligadas à competência técnica, mas a lacunas comportamentais, baixa autoconsciência ou dificuldade em lidar com pressão e ambiguidade.

Avaliar competências como tomada de decisão, influência, resiliência e gestão da complexidade torna-se essencial para identificar líderes capazes de responder a desafios futuros, e não apenas replicar sucessos passados.

Avaliar talento para o futuro das organizações

O verdadeiro valor do Talent Assessment está na sua capacidade de apoiar decisões estratégicas. Quando a avaliação continua ancorada na função, perde relevância. Quando a avaliação evolui para foco em competências, passa a ser um instrumento de leitura do futuro.

Na Neves de Almeida, o Talent Assessment é encarado como uma ferramenta de decisão rigorosa, orientada para contextos reais, exigências futuras e impacto sustentável no negócio. Avaliar talento não é confirmar o passado, é preparar a organização para o que vem a seguir.

Num mercado em constante transformação, as funções mudam, as competências permanecem.

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Escrito por

Márcia Patrício

Licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa e exerce atualmente o cargo de Senior Manager da Neves de Almeida HR Consulting. ​Iniciou a sua carreira profissional em 2003, tendo estado envolvida em diferentes desafios em várias áreas da gestão de pessoas – Assessment, Consultoria, Recrutamento e Seleção, Aconselhamento e Gestão de Carreira, Formação. A diversidade de projetos em que tem trabalhado nos últimos 21 anos, possibilitaram-lhe uma visão abrangente do mundo dos recursos humanos, que a fascina e que a move a dar o melhor de si. ​Está, desde 2015, na Neves de Almeida HR Consulting, na área de Talent Assessment, onde gere projetos, coordena as atividades das equipas envolvidas e assegura a qualidade do delivery ao Cliente. Na Neves de Almeida HR Consulting, tem tido oportunidade de desenvolver projetos em diferentes áreas de atuação da empresa (Talent Assessment, Training, Teambuilding, Consulting), em vários setores de atividade, como sejam Banca e Seguros, Ensino, Energia & Utilities, Farmacêutico, Aviação, Grande Consumo, Indústria, Imobiliário.​A Márcia é apaixonada pela vida, pelos seus dois filhos que a fazem mover montanhas, pela família e pelos amigos, adora o mar o pôr-do-sol e liberta a sua energia a fazer desporto, acima de tudo bicicleta, outra das suas paixões. Saiba mais
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